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2012/06/24

A Bipolaridade de Hubbard

    “Não há enfermidade mais assustadora que a doença bipolar.” Para muitos leitores que directa ou indirectamente têm vivido esta moléstia, a frase não podia ter mais importância. No entanto, ainda que incrédulos, ante o estudo dos sintomas e dos elementos disponibilizados, baseados nos ambíguos episódios vividos, admitimos o diagnóstico. “E se, tão-somente (como se fosse pouco), constatar que é uma depressão?” Quer seja uma patologia ou outra, enquanto aguardamos por melhoras, os dias são sombrios e cheios de inquietantes «ses», porque, no caso de distúrbio bipolar, caracteriza-se por variações proeminentes de humor, com repercussão no foro sensorial, emocional, representação mental e comportamental, que na fase inicial, o paciente pode sentir-se mais jovial, sociável, activo, falador, auto-confiante, criativo e com necessidade de dormir menos horas. Mas essa fase, repentinamente pode dar lugar à antítese de todos esses comportamentos, ficando privado da noção da realidade, inerente a visões irreais (delírios). Uma coisa é certa: as crises dramáticas desta enfermidade têm grande impacto consequencial na vivência profissional, relacional e familiar. E se há doenças que carecem de cura por meio de tratamento, esta é uma delas. Ainda assim, uma regra táctica de controlar a alteração do estado normal de saúde, baseia-se na administração de medicação adequada e no apoio psicológico prestado por um técnico e pela família.

    - Afinal que relação tem a doença bipolar com este blogue? Será que Freddie Hubbard foi uma vítima desta doença? – Indaga o leitor.

Freddie Hubbard "The Body & The Soul"
Formato: Lp 33rpm / Ano: 1963 (reedição Impulse 2010)

    Imaginemos um álbum cuja génese é formada pela existência de dois pólos opostos, pautado por mudanças marcantes, como por exemplo composições calmas e outras com forte aumento de ritmo, associadas à firmeza técnica dos instrumentistas na maneira de executar a peça musical. No jazz, existem discos com esta patologia. No entanto, nem todos aprazem o ouvinte…

    Composto por 9 peças com arranjos de Wayne Shorter e produzidas por Bob Thiele (olheiro da indústria discográfica que deu a conhecer Buddy Holly e Jackie Wilson), «The Body and the Soul» (Impulse! Stereo AS-38) foi o álbum que mais rodou no meu gira-bolachas no Inverno de 2011, quando procurava relaxar após a jornada laboral.

    Tudo parece calmo no tema de abertura que dá designação à obra, e se bem que «Carnival (Manhã de Carnaval)» é mais ritmado, de repente, a dissimulada acalmia é cessada com o toque enérgico da bateria de Joe Jones e dos sons extraídos com muito vigor do trompete de Hubbard que, na calmaria de «Dedicated To Tou» - faixa encerradora do lado A – dissipa a flauta presente no canal direito no início da melodia, detectando-se semelhanças com a forma de tocar de Miles Davis. O lado B irrompe com a entrada desgarrada do saxofone alto de Eric Dolphy, facilmente identificada ao estilo free jazz, diferenciada pelo trompetista que amacia o fraseado da complexidade composicional de «Clarence´s Place», regulado com alternância de compasso e de andamento. Em «Thermo», tema que finda o disco, tem como pano de fundo a intertextualidade da soul music  e rhythm and blues (dois estilos que alimentam a linguagem jazzística, denominada hard bop).

   

 
Este LP, constitui um registo inteligentemente bem escrito, onde se nota um especial cuidado interpretativo do autor aos 25 anos de idade, primando pela originalidade emotiva sob um agradável clima bipolar, dando forma e vida a um disco que, além de ser uma boa colheita do ano 1963, faz as delícias de quem o escuta. A ouvir ao longo da minha vivência…

Ghost4u
(22/VI/2012)

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